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Projeto de lei propõe inserção da cultura oceânica no currículo das escolas de Cabo Frio

Proposta avança nas comissões e pode levar conteúdos sobre oceano para a rede municipal de ensino

Projeto de lei propõe inserção da cultura oceânica no currículo das escolas de Cabo Frio
Projeto de lei propõe inserção da cultura oceânica no currículo das escolas de Cabo Frio (Foto: Reprodução)

 O Projeto de Lei nº 0292/2025, que trata da inclusão da cultura oceânica no currículo da educação básica de Cabo Frio, segue em análise na Câmara de Vereadores. A proposta foi elaborada pelo projeto Mar Sem Lixo e protocolada pelo vereador Alfredo Gonçalves (REP) em 2 de outubro. O texto recebeu parecer favorável das comissões de Constituição e Justiça e de Educação e Saúde, e agora está sob avaliação da Comissão de Redação Final antes de retornar ao plenário.


 A iniciativa determina a obrigatoriedade da cultura oceânica nas escolas municipais e define o tema como o conjunto de conhecimentos e práticas que permitam aos estudantes compreender a relação entre sociedade e oceano.


 O conteúdo deve ser inserido nas disciplinas de forma transversal, seguindo a Base Nacional Comum Curricular. O projeto prevê que temas como funcionamento dos oceanos, biodiversidade marinha e costeira, pesca artesanal, poluição marinha, aspectos culturais e históricos ligados ao litoral de Cabo Frio e fenômenos oceanográficos, como a ressurgência, possam ser abordados nas aulas.


 A proposta também autoriza a Prefeitura de Cabo Frio, por meio da Secretaria Municipal de Educação, a firmar parcerias com universidades, centros de pesquisa, organizações não governamentais e instituições culturais para capacitação de professores, produção de materiais e realização de atividades.


 O presidente do projeto Mar Sem Lixo, Roberto Ramos, afirma que o grupo já realiza ações em escolas e que a formalização do tema na rede municipal é uma meta antiga.


– Nós fazemos palestras nas escolas e eventos há muito tempo. Mas difundir a cultura oceânica nas escolas sempre foi uma meta do projeto Mar Sem Lixo. No Brasil, apenas Santos tem essa matéria na grade curricular. O primeiro estudo feito sobre a saúde dos oceanos é muito recente, mas a Organização das Nações Unidas já criou um protocolo de intenção com o Brasil para incluir cultura oceânica nas escolas de todo o país. Aqui em Cabo Frio, no governo de José Bonifácio, nós apresentamos esse projeto de lei através da então vereadora Carol Midori, mas o prefeito vetou. Este ano apresentamos novamente e estamos confiantes na sua aprovação não só na Câmara, mas também pelo prefeito dr. Serginho (PL) – afirmou.


 O projeto Mar Sem Lixo atua desde 1996 com ações de educação ambiental e manejo de resíduos, incluindo mutirões de limpeza, palestras e projetos diversos. As atividades são realizadas em parceria com escolas, associações, órgãos públicos e entidades ambientais.


 Roberto Ramos também destacou o trabalho relacionado à Lagoa de Araruama.


 – Nossa sede é em Cabo Frio, mas temos núcleos em Búzios, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Saquarema e Rio das Ostras. Embora o nome do nosso projeto seja Mar Sem Lixo, a gente também atua na recuperação da saúde da Lagoa de Araruama. Nas praias de mar aberto coletamos resíduos que vieram de todo o planeta: restos que vieram de outros países; de plataformas de petróleo; de transatlânticos; das cidades brasileiras banhadas pelo oceano. No caso da lagoa, o problema é fruto apenas do entorno, do despejo de esgoto e de quase 400 toneladas de resíduos sólidos. Por isso também temos um projeto de atuação na lagoa, com 42 ações em todo seu entorno, principalmente em Cabo Frio e São Pedro da Aldeia. Mas para ampliar nossa atuação precisamos de voluntários. Neste fim de semana, durante a Feira + Forte, em Cabo Frio, conseguimos algumas adesões, mas estamos sempre precisando de ajuda. Então, quem quiser se juntar ao projeto, será muito bem-vindo – disse Roberto.


 Para voluntariado, os contatos são (22) 99736-0274 e (22) 99701-8855.

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